quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Sodominique

Hoje eu tô numa super dúvida: Não sei se coloco O.B ou semprelivre. O O.B é aquele de enfiar lá dentro, sabe? O semprelivre você coloca de baixo dela, como se fosse uma fraldinha. Bom, mas esqueci que vai ver você não sabe o que é semprelivre ou O.B. É absorvente, um chamam de externo e o outro de interno.
Faz pouco tempo que aprendi a usar essas coisas. Eu adoro. As minhas amigas reclamam que dói, que sentem pontada. Eu não sinto nada e ainda por cima fico feliz da vida. É a natureza, né? Na verdade dói um pouquinho, mas me sinto tão bem de ver que a natureza tá se fazendo em mim. Fico com os peitinhos inchadinhos, e até parece que tenho 17.
Desconfio que algumas das minhas amigas que dizem que dói na verdade ainda não têm nada. A Natasha, por exemplo: ela é toda reta e nunca deixa ninguém ver ela sem sutiã. Acho que ela nem deve ter nada ali embaixo, hehe. É miudinha, parece um passarinho. A Camila era igual a Natasha, mas de uma hora pra outra ficou toda inchada, acho que até meio gorda, e ela era tão magrinha. Parece que tomou um remédio. A minha mãe disse que algumas meninas precisam ir no médico porque a natureza não vem tão assim que nem veio em mim. Coitadinhas.
Uma vez a mamãe chegou toda enfaixada aqui em casa. É que ela tinha posto um pouco de siliconezinho. Com a idade a natureza vai saindo de dentro da gente. Tem muitas mulheres que precisam colocar mesmo antes de sair, por que é como se não tivessem entrado direito nelas. Enfim, preciso escolher logo, tô atrasada.
O interno, quando eu formo, fica TODO inchado... é por isso que a mamãe não gosta que eu use, ela diz que abre por dentro. Mas às vezes eu roubo um do banheiro dela e uso mesmo assim. Ai! parece que ele some lá dentro, dá uma aflição. Tomara que a mamãe não perceba.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Ainda em torno daquelas questões todas...

E quando dizem que o Nelson Rodrigues era machista porque escreveu que as mulheres (as normais, observava) gostam de apanhar? Existe até o livro dele, "Elas gostam de apanhar", que foi reeditado recentemente.
Tenho por regra desconfiar sempre e sempre de juízos feitos por autores de ficção. No fundo, penso eu, todo o escrito é, em última análise, de alguma forma anônimo, todo o texto é um pouco
como aquela carta roubada do Edgar Allan Poe, de remetente oculto e destinatário extraviado. Nelson parecia saber disso, Suzana Flag e Myrna que o digam.
Lidar com esse legado de forma ingênua é o que há de mais fácil.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

O blog de Clarice Lispector

Mas continuando com as minhas inquietações lá de cima, em uma coluna publicada na Folha de S. Paulo há umas semanas atrás, a escritora Cecília Giannetti, de maneira muito feliz ao meu ver, era categórica ao dizer que não existe literatura de blog, e que essa era uma discussão inútil e infrutífera, pois, argumentava a autora, enquanto não surgir algo na internet que não seja possível transpor satisfatoriamente para o formato livro, não há como se falar do blog como um gênero literário.

De fato, essa discussão é bastante infrutífera quando se quer insistir em uma literatura de blog, mas me parece bastante interessante tentar buscar de que forma certas correntes literárias do século XX pareceram ganhar fôlego com esse meio de publicação. Penso sobretudo em correntes literárias norte-americanas em geral associadas à contracultura, como os beatniks, bukowski e john fante.

Ao se publicar um texto no blog temos o dia, a hora em que foi publicado e a assinatura do autor. É dificílimo para o blogueiro criar um blog que não tenha um caráter um tanto pessoal e um tom um tanto confessional (com excessão de blogs temáticos). As tendências literárias que citei acima tem por característica justamente o caráter pessoal e tom confessional, com suas narrativas, em geral, em primeira pessoa contadas por um personagem alter ego do autor.

O que quero dizer com tudo isso é que se, sem dúvida, é uma besteira dizer que existe uma literatura de blog, o blog, enquanto meio de publicação, atrai ou é propício a um certo tipo de literatura.

Antigamente os escritores tinham cadernos de anotações e diários, hoje em dia têm blogs.

Oi

Desconfio de blogs. Noves fora a facilidade de publicação e de divulgação de idéias que eles proporcionam, o fato é que com a chamada internet interativa a rede tornou-se um mar de lixo. E por que, então, eu, garoto limpinho, bem educado (embora pessoa de poucas referências) crio mais uma lixeira?
Por três motivos:
1º - Me encontro em estado de ócio absoluto.
2º - Como em breve vou me afastar de amigos, familiares e chegados, imagino que aqui possa ser um bom canal de comunicação.
3º - Porque a tentação de escrever é muito, muito grande. Principalmente nas duas situações que descrevi acima.
Estou perdoado.